Pedro, todo dia de semana, acordava quatro horas para conseguir chegar ao trabalho pontualmente às sete.

– Mas por que tanta pressa?

– Com o trânsito das maiores cidades brasileiras não se pode brincar, ou perde-se a hora.

Porém, não apenas o fato de ser obrigado a acordar extremamente cedo o perturbava: havia a falta de água e a poluição que também deixava doente.

Congestionamento na Avenida 23 de Maio, na altura da Rua Cubatão, na véspera do feriado prolongado de Corpus Christi. Às 18h30, a CET registrou 268 km de vias congestionadas, marca que ultrapassa o recorde anterior de 266 km, marcados às 19h30 de 9 de maio do ano passado.

Congestionamento na Avenida 23 de Maio, na altura da Rua Cubatão, na véspera do feriado prolongado de Corpus Christi. Às 18h30, a CET registrou 268 km de vias congestionadas, marca que ultrapassa o recorde anterior de 266 km, marcados às 19h30 de 9 de maio do ano passado.

Em um quadro mais amplo da cidade, parece difícil associar a falta de água com o transporte. Então, vamos nos aproximar da poluída atmosfera da cidade e acompanhar o que acontece com o CO2 depois de liberado: ele viaja com o ar quente, que desce para a área mais próxima da cidade, enquanto o ar frio, que poderia trazer a chuva, permanece mais afastado, esperando pelo momento de entrar em cena e cumprir seu papel, é uma pena que talvez ele seja afastado de seu palco principalmente pelo ar quente.

Ou seja: graças a poluição trazida especialmente pelos carros (na cidade de São Paulo, por exemplo, 90% da poluição vem dos automóveis) a chuva é afastada, causando a seca. Lógico a poluição não é o único fator que traz a seca, mas com certeza é um importante fator.

Além disso, quando os meios de transportes utilizam fontes de gases efeito estufa, como o petróleo, estão poluindo a água indiretamente em cada derramamento de petróleo. Sabemos que 80% das doenças é graça a água suja, e isso adoece especialmente as crianças.

A poluição que deixa Pedro doente é a mesma que aflige o restante da população: 4,6 mil mortes por ano na cidade de São Paulo são causadas pela poluição – um maior número do que por acidente de trânsito.

O custo é alto para tratar pacientes que adquiriram doenças causadas pela poluição veicular: pode chegar até um bilhão de reais por ano. Outro fato divulgado pela pesquisa do Instituto de Saúde e Sustentabilidade em 2013 é que há redução de um ano e meio de vida da população que habita a região metropolitana paulista (38 municípios), ou seja, vinte milhões de pessoas.

Não podemos nos dar ao luxo de apoiar as medidas governamentais a favor da indústria automobilística, como diminuição do IPI. Para isso, temos que conter a ambição desregrada e não comprar carro novo todo ano, usar transportes públicos, pressionar os governantes para que os transportes públicos tenham qualidade e se tornem sustentáveis.

Quais são as soluções para transportes sustentáveis?

Uma solução é o aeromóvel, um veículo bem leve que se locomove sobre trilhos em via elevada, sem necessidade de condutor, usando só energia elétrica que provém de um ventilador ligado a um motor sustentável.

Foi desenvolvido totalmente no Brasil, em Porto Alegre, sendo que foi inspirado em um brinquedo de um parque de diversões da Indonésia. Tem baixo custo, tanto na implementação quanto na manutenção.

O ônibus movido a hidrogênio, outro projeto brasileiro, foi o primeiro escolhido pela ONU na América Latina, tendo recebido recursos da PNUD. O primeiro protótipo foi testado na Avenida Paulista, em São Paulo. O custo do projeto é de 16 milhões de dólares, e é esperado que muitos outros ônibus movidos a hidrogênio comecem a circular por São Paulo ainda esse ano. Fora o Brasil, somente outros três países têm a tecnologia suficiente para o projeto: Canadá, Alemanha e EUA. Além do hidrogênio não poluir a atmosfera, também não terá poluição sonora, atualmente causada pelos ônibus.

Por último, há a hidrovia, que se os barcos não utilizarem energia poluente também pode ser considerada sustentável. Até 2040 está previsto um hidroanel pelo rio Tietê, Pinheiros, pela represa Billings e Taiaçupeba. É só esperar que os barcos não poluam ainda mais os rios e, quem sabe, que os rios e represas estejam despoluídas, ou andar por ele será um transtorno as narinas.

É possível despoluir e obter maior qualidade de vida para os cidadãos que vivem nas grandes cidades, é só ter força de vontade para mudar os nossos próprios hábitos e pressionar os responsáveis diretos pelas mudanças necessárias.

por Laís Vitória

Laís é ativista do meio ambiente desde dos 12 anos, atualmente estudante de direito com pretensões de mudança

Fonte: essetaldemeioambiente.com

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